Prevenção da infertilidade: é possível? Saiba como

Prevenção da infertilidade_ é possível_

A prevenção da infertilidade é um assunto cada vez mais importante para mulheres e homens que desejam ter filhos no futuro. Embora nem todas as causas de infertilidade possam ser evitadas, alguns cuidados com a saúde, hábitos de vida e planejamento reprodutivo podem reduzir determinados fatores de risco e ajudar a preservar a fertilidade.

A infertilidade é mais frequente do que muitas pessoas imaginam. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva apresenta infertilidade ao longo da vida.

Mas será que é realmente possível prevenir a infertilidade? A resposta depende da causa.

Prevenção da infertilidade é realmente possível?

A prevenção da infertilidade é possível em algumas situações, mas não em todas.

A fertilidade feminina e masculina pode ser comprometida por diferentes fatores. Alguns são modificáveis, como tabagismo e determinadas exposições ambientais. Outros estão relacionados a doenças, alterações anatômicas, fatores genéticos ou ao próprio envelhecimento reprodutivo.

Por isso, prevenir a infertilidade não significa garantir que uma pessoa conseguirá engravidar no futuro. O objetivo é cuidar da saúde reprodutiva e, quando possível, diminuir fatores que possam prejudicar a fertilidade.

Quais fatores podem aumentar o risco de infertilidade?

Diversas condições podem estar relacionadas à dificuldade para engravidar.

Entre elas estão:

  • idade reprodutiva;
  • alterações da ovulação;
  • síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • endometriose;
  • alterações nas tubas uterinas;
  • algumas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
  • miomas e determinadas alterações uterinas;
  • alterações na quantidade, motilidade ou qualidade dos espermatozoides;
  • varicocele;
  • tabagismo;
  • obesidade;
  • exposição a determinadas substâncias tóxicas;
  • tratamentos médicos que possam comprometer ovários ou testículos.

Isso significa que a estratégia de prevenção deve considerar a história e os fatores de risco de cada pessoa.

Prevenção da infertilidade e idade da mulher

Quando falamos em prevenção da infertilidade, a idade merece atenção especial.

A mulher nasce com um número determinado de óvulos, e tanto a quantidade quanto a qualidade deles diminuem ao longo dos anos. Essa redução se torna particularmente importante com o avanço da idade reprodutiva.

Portanto, hábitos saudáveis são importantes, mas não conseguem interromper o envelhecimento ovariano.

Para mulheres que desejam adiar a maternidade, conversar com um especialista em reprodução humana pode ajudar a entender a reserva ovariana e discutir estratégias de planejamento reprodutivo.

Em situações selecionadas, o congelamento de óvulos pode ser considerado como estratégia de preservação da fertilidade. É importante entender, entretanto, que congelar óvulos não representa garantia de gravidez futura.

Evitar o cigarro ajuda na prevenção da infertilidade?

Sim. Evitar o tabagismo é uma das medidas importantes para quem deseja cuidar da saúde reprodutiva.

O cigarro está associado a efeitos negativos sobre a fertilidade feminina. Estudos também encontram alterações em parâmetros do sêmen entre homens fumantes.

Além disso, a American Society for Reproductive Medicine (ASRM) aponta evidências de que o tabagismo feminino está associado à redução da fecundidade e a piores resultados reprodutivos.

Por isso, parar de fumar beneficia não apenas a saúde geral, mas também faz parte dos cuidados com a fertilidade.

Prevenção da infertilidade e infecções sexualmente transmissíveis

Outro cuidado importante na prevenção da infertilidade é reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis.

Algumas infecções podem ocorrer sem sintomas e, quando não diagnosticadas e tratadas, causar complicações no aparelho reprodutor.

Nas mulheres, determinadas infecções podem levar a processos inflamatórios e comprometer as tubas uterinas. Nos homens, infecções do trato genital também podem afetar estruturas relacionadas à reprodução.

O uso de preservativos, a realização de testes quando indicados e o tratamento adequado das infecções são medidas importantes de cuidado com a saúde sexual e reprodutiva.

Peso corporal e hábitos saudáveis também importam

Manter hábitos saudáveis faz parte do cuidado com a fertilidade.

Tanto o excesso quanto o baixo peso podem estar associados a alterações hormonais e reprodutivas. A obesidade, por exemplo, está relacionada a alterações da ovulação em algumas mulheres e pode estar associada a alterações da função reprodutiva masculina.

Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, acompanhamento de doenças metabólicas e controle adequado do peso contribuem para a saúde de maneira geral.

Isso não significa, entretanto, que alimentação ou exercícios sejam capazes de tratar sozinhos todas as causas de infertilidade.

Anabolizantes podem prejudicar a fertilidade masculina

Homens que desejam ter filhos também precisam estar atentos ao uso de testosterona e esteroides anabolizantes sem indicação e acompanhamento médico.

O uso de testosterona exógena pode reduzir a produção hormonal necessária para a espermatogênese e diminuir significativamente a produção de espermatozoides.

Em alguns casos, pode ocorrer até mesmo ausência de espermatozoides no sêmen durante o período de utilização.

Por isso, homens que utilizam ou pretendem utilizar essas substâncias e desejam ter filhos devem conversar com um médico.

Tratamentos médicos e preservação da fertilidade

Alguns tratamentos necessários para determinadas doenças podem comprometer a função dos ovários ou testículos.

Quimioterapia, radioterapia e determinadas cirurgias são exemplos.

Quando existe esse risco, a avaliação da fertilidade deve, sempre que possível, ocorrer antes do início do tratamento.

Dependendo da situação, podem ser consideradas técnicas como:

  • congelamento de óvulos;
  • congelamento de espermatozoides;
  • congelamento de embriões;
  • preservação de tecido ovariano em indicações específicas.

A escolha depende de fatores como idade, diagnóstico, tipo de tratamento e tempo disponível antes do início da terapia.

O acompanhamento médico ajuda na prevenção da infertilidade?

O acompanhamento médico pode contribuir para identificar doenças e fatores de risco antes mesmo do início das tentativas de gravidez.

Mulheres com ciclos menstruais muito irregulares, ausência de menstruação, histórico de endometriose, cirurgias pélvicas ou outras condições que possam afetar a fertilidade podem se beneficiar de uma avaliação individualizada.

O mesmo vale para homens com histórico de alterações testiculares, varicocele, cirurgias, infecções ou outros fatores de risco.

O objetivo não é realizar exames indiscriminadamente em todas as pessoas, mas reconhecer situações em que uma avaliação precoce pode ser útil.

Quando procurar ajuda para engravidar?

De maneira geral, a investigação de infertilidade é recomendada quando a gravidez não acontece após 12 meses de relações sexuais regulares sem métodos contraceptivos.

Quando a mulher tem 35 anos ou mais, recomenda-se uma avaliação mais precoce, geralmente após 6 meses de tentativas.

Em determinadas situações, principalmente quando já existe uma condição conhecida que pode comprometer a fertilidade, a investigação pode começar antes.

E um ponto é fundamental: a avaliação deve considerar o casal. A dificuldade para engravidar pode estar relacionada a fatores femininos, masculinos, a uma combinação dos dois ou permanecer sem causa identificada mesmo após investigação.

Afinal, como fazer a prevenção da infertilidade?

Não existe uma única medida capaz de impedir a infertilidade.

Entretanto, algumas atitudes ajudam a cuidar da saúde reprodutiva: não fumar, prevenir infecções sexualmente transmissíveis, manter hábitos saudáveis, evitar o uso de anabolizantes sem acompanhamento médico e buscar orientação quando houver doenças ou tratamentos capazes de comprometer a fertilidade.

Também é importante conhecer o impacto da idade, especialmente sobre a fertilidade feminina.

Portanto, prevenção da infertilidade significa principalmente reconhecer fatores de risco, cuidar da saúde reprodutiva e planejar o futuro de acordo com as características individuais.

Reprodução Para Todos

Se você está tentando engravidar ou possui algum fator de risco para infertilidade, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar as possíveis causas e definir os próximos passos.

O Programa Reprodução Para Todos (RPT) busca facilitar o acesso de pacientes às clínicas parceiras de reprodução assistida, oferecendo condições diferenciadas para consultas e tratamentos reprodutivos.

Informação de qualidade, diagnóstico adequado e acesso ao tratamento são passos importantes para quem deseja realizar o sonho de ter filhos.

Referências

World Health Organization (WHO). Infertility. WHO, 2025.

World Health Organization (WHO). 1 in 6 people globally affected by infertility. Geneva: WHO, 2023.

American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Optimizing natural fertility: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2022;117:53–63.

American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Tobacco or marijuana use and infertility: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2024;121:589–603.

American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Fertility preservation in patients with medical indications: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2026;125:247–259.

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